terça-feira, 16 de junho de 2015

Os olhos são a porta...

Renato Meziat
 
“Os olhos são a porta pela qual a beleza entra na alma. Meus olhos se espantam com tudo. Sou místico. Ao contrário dos místicos religiosos, que fecham os olhos para verem Deus, a Virgem e os anjos, eu abro bem os meus para ver as frutas e legumes nas bancas da feira. Cada fruta é um assombro, um milagre.”
 
(Rubem Alves, em Pimentas)

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Palavras num silêncio de ouro...


“Palavras num silêncio de ouro. Quando leio o jornal, escuto rádio ou presto atenção no que as pessoas me dizem no café, sinto cada vez mais um enfado, um asco mesmo das palavras sempre iguais que são escritas ou ditas, sempre as mesmas expressões, sempre os mesmos floreios, as mesmas metáforas. O pior é quando escuto a minha própria voz e constato que também eu digo sempre as mesmas coisas. Essas palavras estão terrivelmente gastas e usadas, esgotadas pelos milhões de vezes em que foram usadas. Terão ainda algum significado? Claro, a troca de palavras continua funcionando, as pessoas agem de acordo, riem e choram, viram para a esquerda ou para a direita, o garçom traz o café ou o chá. Mas não é o que eu quero questionar. A questão é: será que elas ainda exprimem pensamentos? Ou apenas formações sonoras que impelem as pessoas de um lado para o outro porque iluminam os traços de uma eterna tagarelice?.”

(Mercier Pascal, em Trem Noturno Para Lisboa)

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Dia dos Namorados

Lorenzo Mattotti



Quero apenas cinco coisas...
Primeiro é o amor sem fim
A segunda é ver o outono
A terceira é o grave inverno
Em quarto lugar o verão
A quinta coisa são teus olhos
Não quero dormir sem teus olhos.
Não quero ser... sem que me olhes.
Abro mão da primavera para que continues me olhando.

(Pablo Neruda, poeta chileno)

quinta-feira, 11 de junho de 2015

A cozinha oferece...


“A cozinha oferece a simples satisfação de medidas exatas e resultados previsíveis, embora na precisão haja também a alquimia, algo que ela aprendeu com o pai farmacêutico. Em termos culinários, a alquimia da aplicação de calor, de bater um creme ou esmagar algo em um pilão. O que é duro e impenetrável torna-se macio e permeável. Um líquido viscoso termina como uma massa aerada. Uma pitada de sementes secas libera um perfume inesperado e exótico.”

(A.S.A. Harrison, em A Mulher Silenciosa)

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Os existencialistas eram...

Ramón Casas

“Os existencialistas eram realmente insuperáveis em fazer parecer romântico matar Deus e se lançar no abismo.”

(Lou Marinoff, em Mais Platão, Menos Prozac)

terça-feira, 9 de junho de 2015

Quando se vê já são seis horas...



Quando se vê já são seis horas.
Quando se vê já é sexta-feira.
Quando se vê já é Natal.
Quando se vê já terminou o ano.
Quando se vê já não sabemos por onde andam nossos amigos.
Quando se vê já passaram cinquenta anos...

(Mário Quintana, poeta brasileiro)