sexta-feira, 26 de maio de 2017

Envolto neste mistério...

Lucien Hector Jonas

Envolto neste mistério,
fico, assim, me perguntando
se brincas, falando sério,
ou falas sério, brincando…

(Roberto Medeiros)

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Um barco sem porto...

Hugo Pratt

Um barco sem porto
Sem rumo, sem vela
Cavalo sem sela
Um bicho solto
Um cão sem dono
Um menino, um bandido
Às vezes me preservo
Noutras, suicido!

(Flor da pele, de Zeca Baleiro)


quarta-feira, 24 de maio de 2017

Mãos falam!…


Mãos falam! … Todos entendem
o seu idioma calado
e até as feras compreendem
a doce fala do agrado.

(Heribaldo Gerbasi)

terça-feira, 23 de maio de 2017

Cinco dias antes do casamento...

Eastman Johnson

“Cinco dias antes do casamento, os japoneses tinham bombardeado Pearl Harbor, e William Stoner assistiu à cerimônia com uma confusão de sentimentos que nunca sentira antes. (...) Era a força de uma tragédia coletiva, de um horror e de um pesar tão difusos que as tragédias privadas e os problemas pessoais eram deslocados para outra existência, embora intensificados pela vastidão na qual ocorriam, como se a tristeza de um túmulo solitário pudesse ser amplificada pelo deserto que o cerca. Com uma pena que era quase impessoal, ele assistiu àquele triste pequeno ritual de casamento e ficou estranhamente comovido com a beleza passiva e indiferente do rosto de sua filha e pelo soturno desespero na face do garoto. (...)
Dois meses após o casamento, Edward Frye se alistou no exército. (...) Seis meses depois, Frye morreu numa praia de uma pequena ilha do Pacífico, como muitos outros recrutas inexperientes que tinham sido enviados num esforço desesperado para deter o avanço japonês. Em junho de 1942, o filho de Grace nasceu, um menino, e ela lhe deu o nome do pai, que nunca vira e que não poderia amar.”

(John Williams, no livro Stoner)

segunda-feira, 22 de maio de 2017

22 de Maio - Dia do Abraço

Charles Burton Barber

O melhor lugar do mundo
É dentro de um abraço
Pro mais velho ou pro mais novo
Pra alguém apaixonado, alguém medroso

O melhor lugar do mundo
É dentro de um abraço
Pro solitário ou pro carente
Dentro de um abraço é sempre quente

Tudo que a gente sofre
Num abraço se dissolve
Tudo que se espera ou sonha
Num abraço a gente encontra

(Dentro de um abraço, da banda Jota Quest)

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Do alto da arrogância...

Wolf Erlbruch

Do alto da arrogância qualquer homem
Se imagina muito mais do que consegue ser
É que vendo lá de cima, a ilusão que lhe domina
Diz que pode muito antes de querer
Querer não é questão, não justifica o fim
Pra quê complicação, é simples assim

(Simples assim, música de Lenine e Dudu Falcão)

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Ao sentir que a noite nasce...

Albino Duarte Baganha


Ao sentir que a noite nasce,
fecho as cortinas, ligeiro,
pra que o luar não te abrace
sem que eu te abrace primeiro!

(Sérgio Bernardo)

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Dia Internacional da Comunicação

William Herbert Dunton

“Lila sabia falar por meio da escrita; diferentemente de mim quando escrevia, diferentemente de Sarratore em seus artigos e poesias, diferentemente até de muitos escritores que eu tinha lido e lia, ela se expressava com frases de um extremo apuro, sem nenhum erro, mesmo sem ter continuado os estudos, mas – além disso – não deixava nenhum vestígio de inaturalidade, não se sentia o artifício da palavra escrita. Eu lia e, ao mesmo tempo, podia vê-la, escutá-la. Sua voz era um fluxo que me arrebatava e me transportava como quando discutíamos entre nós, e no entanto era inteiramente depurada das escórias de quando se fala, da confusão oral; tinha a ordem viva que eu imaginava devesse caber ao discurso dos que tivessem a sorte de nascer da cabeça de Zeus, e não dos Greco, dos Cerullo.”

(Elena Ferrante, no livro A amiga genial)

terça-feira, 16 de maio de 2017

Me cansei de lero-lero...


Me cansei de lero-lero
Dá licença, mas eu vou sair do sério
Quero mais saúde
Me cansei de escutar opiniões
De como ter um mundo melhor

Mas ninguém sai de cima, nesse chove-não-molha
Eu sei que agora eu vou é cuidar mais de mim

Como vai? Tudo bem
Apesar, contudo, todavia, mas, porém
As águas vão rolar, não vou chorar
Se por acaso morrer do coração
É sinal que amei demais

Mas enquanto estou viva e cheia de graça
Talvez ainda faça um monte de gente feliz

(Rita Lee, na música Saúde)

segunda-feira, 15 de maio de 2017

15 de Maio - Dia Internacional da Família

Claude-Marie Dubufe

Família, família
Papai, mamãe, titia,
Família, família
Almoça junto todo dia,
Nunca perde essa mania
Mas quando a filha quer fugir de casa
Precisa descolar um ganha-pão
Filha de família se não casa
Papai, mamãe, não dão nenhum tostão
Família êh!
Família áh!

Família,família
Vovô, vovó, sobrinha
Família, família
Janta junto todo dia,
Nunca perde essa mania
Mas quando o nenê fica doente
Procura uma farmácia de plantão
O choro do nenê é estridente
Assim não dá pra ver televisão
Família êh!
Família áh!

Família,família
Cachorro, gato, galinha
Família, família,
Vive junto todo dia,
Nunca perde essa mania
A mãe morre de medo de barata
O pai vive com medo de ladrão
Jogaram inseticida pela casa
Botaram um cadeado no portão
Família ê
Família á
Família

(Titãs, na musica Família)

domingo, 14 de maio de 2017

2º Domingo de Maio - Dia das Mães

Bernard Jean Corneille Pothast

“No princípio, se um de nós caía, a dor doía ligeiro. Um beijo seu curava a cabeça batida na terra, o dedo espremido na dobradiça da porta, o pé tropeçado no degrau da escada, o braço torcido no galho da árvore. Seu beijo de mãe era um santo remédio. Ao machucar, pedia-se: mãe, beija aqui!"

(Bartolomeu Queirós, no livro Vermelho amargo)

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Estava mais angustiado...

Christophe Vacher

Estava mais angustiado que um goleiro na hora do gol
Quando você entrou em mim como um Sol no quintal

(Belchior, na música A divina comédia humana)

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Não sei...


Não sei... se a vida é curta
ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos tem sentido,
se não tocamos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita.

Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo,
é o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
não seja curta,
nem longa demais
Mas que seja intensa
Verdadeira, pura ...
Enquanto durar.

(Não sei, poema de Cora Coralina)

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Amaka disse “adolescentes” como se...

Erin de Burca

Amaka disse “adolescentes” como se ela não fosse uma, como se adolescentes fossem pessoas que, por não ouvir música culturalmente consciente, estavam um nível abaixo dela. E disse “culturalmente conscientes” do jeito orgulhoso que as pessoas dizem uma palavra que jamais teriam imaginado aprender até aprenderem.

(Chimamanda Ngozi Adichie, no livro Hibisco roxo)

terça-feira, 9 de maio de 2017

Quando era muito jovem...

John Michael Carter

“Quando era muito jovem, Stoner pensara no amor como um estado absoluto da existência que um homem, se tivesse sorte, poderia ter o privilégio de vivenciar. No entanto, em sua maturidade, ele o rejeitara como o paraíso de uma religião falsa, que se devia contemplar com irônico ceticismo, desprezo suave e maduro, além de uma nostalgia embaraçada. Agora, em sua meia-idade, ele começava a entender que não era nem um estado de graça nem uma ilusão. Via-o como uma parte do devir humano, uma condição inventada e modificada momento a momento e dia após dia, pela vontade, pela inteligência e pelo coração.”

(John Williams, no livro Stoner)

segunda-feira, 8 de maio de 2017

O corpo dela era longo...

David Blaine Clamons

“O corpo dela era longo e delicado, macio e poderoso ao mesmo tempo, e quando ele o tocava, sua mão desajeitada parecia ficar viva sobre a sua carne. Às vezes olhava para aquele corpo como se fosse um tesouro posto sob sua guarda. Deixava seus dedos rudes brincarem sobre a pele úmida e levemente rosada da coxa e da barriga e contemplava maravilhado a intrincada e simples delicadeza de seus pequenos seios firmes. Ele se deu conta de que nunca antes conhecera o corpo de outra pessoa e lhe ocorreu ainda que essa era a razão pela qual, de alguma forma, sempre separava o eu das pessoas do corpo que o continha. Por fim, ocorreu-lhe com plena consciência que ele nunca conhecera nenhum outro ser humano com tamanha intimidade ou confiança e com o calor humano de quem se entrega completamente ao outro.”

(John Williams, no livro Stoner)

sexta-feira, 5 de maio de 2017

5 de Maio - Dia Internacional da Língua Portuguesa


“Minha pátria é minha língua.”

(Bernardo Soares, heterônimo de Fernando Pessoa)

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Obinze fez uma pausa...

Elizabeth Peyton


“Obinze fez uma pausa. Com frequência, ele fazia uma pausa antes de dizer algo. Ifemelu achava isso encantador; era como se tivesse tal consideração por quem o ouvia que queria que suas palavras fossem combinadas da melhor maneira possível.”

(Chimamanda Ngozi Adichie, no livro Americanah)

quarta-feira, 3 de maio de 2017

A bacia de Catarina é uma...

Luiz Labozetto

“A bacia de Catarina é uma pequena enseada na curva do rio, onde as margens se afastam, na maior distância. A correnteza serpenteia entre pedras, seixos e rochedos, águas claras, límpido abrigo. Dali se avista o ancoradouro, os barcos, as canoas, a lancha de Elieser. Escondidos entre as rochas, à margem, recantos discretos, pousos de namoro e frete, o capim amassado pelos corpos.”

(Jorge Amado, em Tieta do Agreste)

terça-feira, 2 de maio de 2017

Meu real é mais absurdo...

Augustus Edwin John


“Meu real é mais absurdo que minha fantasia. O presente é a soma de nostalgias, agora irremediáveis. A memória suporta o passado por reinventá-lo incansavelmente. Tento espantar o presente balbuciando uma nova palavra. Tudo é maio, tudo é seco, tudo é frio.”

(Bartolomeu Queirós, no livro Vermelho amargo)

segunda-feira, 1 de maio de 2017

1º de Maio - Dia da Literatura Brasileira

Gilberto Geraldo

“É uma pena, mas a verdade é que, no Brasil, pega mal fazer algo simples, emocionante e divertido. Na literatura, por exemplo, a ideia vigente é a de que o livro que diverte é necessariamente subliteratura. E, em via oposta, o livro que não diverte, aquele que é impenetrável, um eterno marasmo entre as linhas, é necessariamente literatura de qualidade. Os dois extremos estão errados.”

(Raphael Montes, escritor brasileiro)

1º de Maio - Dia do Trabalho

Chad Gowey

Sim, todo amor é sagrado
E o fruto do trabalho
É mais que sagrado, meu amor.
A massa que faz o pão
Vale a luz do teu suor

(Beto Guedes, na música Amor de Índio)

sábado, 29 de abril de 2017

29 de Abril - Dia do Crítico Teatral

Alfred Rhet

“Não é necessário que um autor entenda o que escreve. Os críticos se incumbirão de explicar a ele.”

(Abade Antoine Prévost, escritor francês)

29 de Abril - Dia Internacional da Dança (CID-UNESCO)

Melinda Byers


“Dança é a única arte na qual nós somos o material de que ela é feita.”

(Ted Shawn, dançarino estadunidense)

Paparazzo: celebridades e livros

Adriana Calcanhoto

sexta-feira, 28 de abril de 2017

28 de Abril - Dia Mundial do Sorriso

ilustração anos 1950

O sorriso é flor de sebe,
perfume de resedá.
Anima a quem o recebe,
embeleza a quem o dá.

(Nair Starling)

28 de Abril - Dia da Educação

Armand Guillaumin

“Nunca se espera que pessoas responsáveis por banheiros públicos, quaisquer que sejam, mantenham um diário digitando no teclado de seu laptop. Devemos servir só para limpar de manhã até a noite, polir as peças cromadas, esfregar, enxaguar, reabastecer os suportes de papel higiênico e mais nada. Espera-se que uma zeladora de banheiro limpe, não que escreva. As pessoas podem conceber que eu faça palavras cruzadas, caça-palavras, palavras trancadas em todo tipo de tabela quadriculada. Essas mesmas pessoas também podem aceitar que eu leia fotonovelas, revistas femininas e de televisão nas horas vagas, mas se sentem insultadas quando sabem que eu digito com meus dedos feridos pela água sanitária no teclado de um laptop a fim de registrar meus pensamentos. Pior, ficam desconfiadas. Há um tipo de mal-entendido, um erro na escalação do elenco. No mundo inferior, até um infeliz computador de dez polegadas ligado ao lado de um pratinho para gorjetas sempre acaba maculando a paisagem. Ah! Tentei muito usar meu laptop, mas logo nas primeiras tentativas via no olhar das pessoas, às vezes indignadas, que isso não ficava nada bem, que havia incompreensão e constrangimento, até rejeição diante dessa situação anormal. Precisei rapidamente me render à evidência de que as pessoas em geral só esperam uma coisa: que você ofereça a imagem daquilo que elas querem que você seja. E reprovavam especialmente a imagem que eu propunha a elas. Era uma visão do mundo superior, uma visão de que não havia nada a se fazer aqui. Agora, se há uma lição que aprendi bem em quase vinte e oito anos de existência na Terra é que o hábito deve fazer o monge, e pouco importa o que a batina esconde. Desde então, eu iludo, eu engano. O computador fica fora de vista, sabiamente guardado em sua capa ao pé da minha cadeira. É mais fácil que deixem uma moeda para uma jovem tentando arduamente resolver o jogo de sete erros da última revista da moda, mordendo a ponta da caneta, do que para essa mesma mulher mergulhada na contemplação da tela luminosa de seu laptop de última geração. Colocar-se sabiamente na fôrma, vestir esse traje de zeladora de banheiro, tarefa pela qual me pagam, e desempenhar o papel ajustando-se ao texto: é mais fácil para todo mundo, a começar por mim. E, depois, isso tranquiliza as pessoas. Como minha tia sempre diz, tialogismo número onze: ‘Um cliente tranquilo será sempre mais generoso’. (...)
Com o tempo, aprendi a escrever sem parecer que estou escrevendo. Preencho meus blocos de anotação diante da frágil mesinha que me serve de escrivaninha, rabisco as páginas em meio à profusão de papel acetinado das revistas à minha frente. Avanço aos pouquinhos. Não se passa um dia sem que eu escreva. Não fazê-lo seria como não ter vivido esse dia, ter me limitado a esse papel de limpadora-de-xixi-cocô-vômito que querem que eu assuma, uma pobre moça que tem como única razão de viver essa função trivial pela qual lhe pagam.”

(Jean-Paul Didierlaurent, no livro O leitor do trem das 6h27)

quinta-feira, 27 de abril de 2017

E nesse desespero em que me vejo...

Zinaida Serebriakova

E nesse desespero em que me vejo
Já cheguei a tal ponto
De me trocar diversas vezes por você
Só pra ver se te encontro

Você bem que podia perdoar
E só mais uma vez me aceitar
Prometo agora vou fazer por onde nunca mais perdê-la

(Você não me ensinou a te esquecer, de Caetano Veloso)

quarta-feira, 26 de abril de 2017

E com os que erram...

Madeleine Jeanne Lemaire

E com os que erram
Feio e bastante
Que você consiga
Ser tolerante

(Amor pra recomeçar, de Frejat, Maurício Barros e Mauro Sta. Cecília)

terça-feira, 25 de abril de 2017

Às vezes, ao buscar amor...

Marie Spartali Stillman

"Às vezes, ao buscar amor, assemelhamo-nos às mariposas que procuram luz e se queimam no calor das lâmpadas."

(Provérbio brasileiro)

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