sexta-feira, 28 de julho de 2017

As águas vão rolar...

Linda Kyser Smith

As águas vão rolar, não vou chorar
Se por acaso morrer do coração
É sinal que amei demais

Mas enquanto estou viva e cheia de graça
Talvez ainda faça um monte de gente feliz

(Rita Lee, na música Saúde)

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Quem um dia irá dizer...

Marc Chagall

Quem um dia irá dizer que existe razão
Nas coisas feitas pelo coração?
E quem irá dizer
Que não existe razão?

(Legião Urbana, na música Eduardo e Mônica)

quarta-feira, 26 de julho de 2017

26 de Julho - Dia dos Avós


Fizemos na vida ingrata
do nosso amor um tesouro:
os filhos nos deram prata!
Os netos nos deram ouro!

(José Maria Machado de Araujo)

terça-feira, 25 de julho de 2017

25 de Julho - Dia do Escritor

M. C. Escher


“Quando se trata de literatura, a beleza do estilo, a musicalidade das frases têm sua importância; a profundidade da reflexão do autor, a originalidade de seus pensamentos não são de desprezar; mas um autor é antes de tudo um ser humano, presente em seus livros; que escreva muito bem ou muito mal, em última análise, importa pouco, o essencial é que escreva e esteja, de fato, presente em seus livros…”

(Michel Houellebecq, em Submissão)

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Eu já desculpei muita coisa...

Edouard Manet

Eu já desculpei muita coisa
Você não arranjava outro igual
Desculpe, Marina, morena
Mas eu tô de mal
De mal com você.

(Dorival Caymmi, na música Marina)

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Me cansei de lero-lero...

Monika Aladics

Me cansei de lero-lero
Dá licença, mas eu vou sair do sério
Quero mais saúde
Me cansei de escutar opiniões
De como ter um mundo melhor

Mas ninguém sai de cima, nesse chove-não-molha
Eu sei que agora eu vou é cuidar mais de mim

(Rita Lee, na música Saúde)

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Dia Internacional da Amizade

Arthur John Elsley

"Um amigo fiel é como uma alma em dois corpos."
(Sócrates)

"Todas as glórias deste mundo não valem um amigo fiel."
(Voltaire)

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Eu não sei se vem de Deus...

Felice Casorati


Eu não sei se vem de Deus
Do céu ficar azul
Ou virá dos olhos teus
Essa cor que azuleja o dia

(Djavan, na música Azul)

terça-feira, 18 de julho de 2017

Faça uma lista...

Gabriele Munter

Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais

Faça uma lista dos sonhos que tinha
Quantos você desistiu de sonhar!
Quantos amores jurados pra sempre
Quantos você conseguiu preservar...

Onde você ainda se reconhece
Na foto passada ou no espelho de agora?
Hoje é do jeito que achou que seria
Quantos amigos você jogou fora?

Quantos mistérios que você sondava
Quantos você conseguiu entender?
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber?

Quantas mentiras você condenava?
Quantas você teve que cometer?
Quantos defeitos sanados com o tempo
Eram o melhor que havia em você?

Quantas canções que você não cantava
Hoje assovia pra sobreviver?
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você?

(Oswaldo Montenegro, na música A Lista)

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Prefiro as noites porque...

Annick Bouvattier

“Prefiro as noites porque me nutrem na insônia, embora os dias me iluminem quando nasce o sol. Trabalho sem salário e não entendo de economizar. Nem de energia. Esbanjo-me até quando não devo e, vezes sem conta, devo mais do que ganho. Não acredito em duendes, bruxas, fadas ou feitiços. Não vou à missa. Nem faço simpatias. Mas, rezo pra algum anjo de plantão e mascaro minha fé no deus do otimismo. Quando é impossível, debocho. Quando é permitido, duvido.”

(Cláudia Letti, em Transparências – Onde não se responde)

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Se você perceber qualquer tipo...

Gabriella Piccatto

"Se você perceber qualquer tipo de constrangimento, não repare, eu não tenho pudores mas, não raro, sofro de timidez. E note bem: não sou agressiva, mas defensiva. Impaciente onde você vê ousadia. Falta de coragem onde você pensa que é sensatez.
Mas mesmo assim, sempre pinta um momento qualquer em que eu esqueço todos os conselhos e sigo por caminhos escuros. Estranhos desertos. E, ignorando todas as regras, todas as armadilhas dessa vida urbana, dessa violência cotidiana, se você me assalta, eu reajo."

(Cláudia Letti, Transparências - Onde não se responde)

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Enquanto todo mundo...

Gorjuss

Enquanto todo mundo
Espera a cura do mal
E a loucura finge
Que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência

(Paciência, música de Lenine)

quarta-feira, 12 de julho de 2017

O bom da morte é que...

Kai McCall

"O bom da morte é que se não deixa boca para sorrir, também não deixa olhos para chorar."

(Machado de Assis, escritor brasileiro)

terça-feira, 11 de julho de 2017

Passei minha adolescência...

Pietro Marussig

“Passei minha adolescência com esta sensação: a de que algo muito animado estava acontecendo em algum lugar para o qual eu não tinha convite. É uma das características da juventude: considerar-se deslocado e impedido de ser feliz como os outros são, ou aparentam ser. Só que chega uma hora em que é preciso deixar de ficar tão ligada na grama do vizinho.
As festas em outros apartamentos são fruto da nossa imaginação, que é infectada por falsos holofotes, falsos sorrisos e falsas notícias. Os notáveis alardeiam muito suas vitórias, mas falam pouco das suas angústias, revelam pouco suas aflições, não dão bandeira das suas fraquezas, então fica parecendo que todos estão comemorando grandes paixões e fortunas, quando na verdade a festa lá fora não está tão animada assim. Ao amadurecer, descobrimos que a grama do vizinho não é mais verde coisíssima nenhuma. Estamos todos no mesmo barco, com motivos pra dançar pela sala e também motivos pra se refugiar no escuro, alternadamente.”

(Martha Medeiros, escritora brasileira)

segunda-feira, 10 de julho de 2017

O paradoxo da existência...

Christopher Stott

"O paradoxo da existência literária é que o público da época deseja uma alimentação diferente da que reclama o público sobreepocal."

(Hugo Hofmannsthal, escritor e dramaturgo austríaco)

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Este é um poema de amor...

Kikugawa Eizan

Este é um poema de amor
tão meigo, tão terno, tão teu...
É uma oferenda aos teus momentos
de luta e de brisa e de céu...
E eu,
quero te servir a poesia
numa concha azul do mar
ou numa cesta de flores do campo.
Talvez tu possas entender o meu amor.
Mas se isso não acontecer,
não importa.
Já está declarado e estampado
nas linhas e entrelinhas
deste pequeno poema,
o verso;
o tão famoso e inesperado verso que
te deixará pasmo, surpreso, perplexo...
eu te amo, perdoa-me, eu te amo...

(Poeminha Amoroso, de Cora Coralina)

quinta-feira, 6 de julho de 2017

A análise mais interessante...

Luca Signorelli

“A análise mais interessante que se faz do comunismo é considerá-lo uma religião – uma das religiões da salvação terrena. Esse ponto de vista nasceu já no século 19, logo depois de Karl Marx espalhar suas ideias nos pubs londrinos. O raciocínio é o seguinte: a partir do século 16, a revolução científica derrubou a ideia de um mundo justo, em ordem, acabado e sob harmonia divina. Das descobertas de Galileu e Darwin, nasceu a imagem do universo como um lugar caótico, sem finalidade e frequentemente desequilibrado por terremotos, erupções, extinções em massa. As ideias de harmonia divina, de céu e de paraíso foram aos poucos ruindo, apesar disso, as pessoas continuaram negando a vida real em nome de mundos de perfeita harmonia – desta vez, mundos que seriam criados pelo próprio homem. Assim como o cristianismo, o socialismo se baseava em paisagens idílicas. Se os cristãos lutavam para ir para o céu, os comunistas buscavam trazer o céu à Terra. Lutavam pela sociedade revolucionária, um lugar tão perfeito e irreal quanto o paraíso. Como as grandes religiões, o comunismo tinha visões do paraíso, como mostra o programa da Ação Popular. Também tinha culpados pelo pecado original. “Se atribuímos nosso estado ruim a outros ou a nós mesmos – a primeira coisa faz o socialista, a segunda, o cristão, por exemplo – é algo que não faz diferença”, escreveu Friedrich Nietzsche em O Crepúsculo dos Ídolos, de 1888."

(Leandro Norlach, em Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil)

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Aponta os cômoros de Mangue Seco...

Guttmann Bicho

“Aponta os cômoros de Mangue Seco que surgem em meio à arrebentação, erguidos diante do mar; do embate com os vagalhões eleva-se uma cortina de água...”

(Jorge Amado, em Tieta do Agreste)

terça-feira, 4 de julho de 2017

Está vendo como sua prima...

Inha Bastos

— Está vendo como sua prima fica nos olhando quietinha? — perguntou padre Amadi, me indicando. — Ela não desperdiça energia com discussões intermináveis. Mas sua mente está cheia de pensamentos, dá para perceber.

(Chimamanda Ngozi Adichie, no livro Hibisco roxo)

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Ela não entendia, dizia...

José Maria de Almeida

“Ela não entendia, dizia com seu sotaque irlandês que fazia as palavras rolarem sobre sua língua, por que tanta gente da etnia igbo construía casas enormes em suas cidades natais para passar apenas uma ou duas semanas em dezembro, enquanto tinham residências bem menores nas cidades grandes onde viviam o resto do ano. Eu sempre me perguntava por que irmã Verônica precisava entender aquilo, quando era simplesmente o nosso jeito de fazer as coisas."

(Chimamanda Ngozi Adichie, no livro Hibisco roxo)

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Bem-aventurados...

Norman Rockwell

"Bem-aventurados os que possuem, porque serão perdoados."

(Machado de Assis, escritor brasileiro)

Catarina Correia Marques




quinta-feira, 29 de junho de 2017

Senti, no suave cheiro...

Norman Rockwell

Senti, no suave cheiro
que o vento me trouxe agora,
que o vento passou primeiro
pela rua onde ela mora!

(Arlindo Tadeu Hagen)

quarta-feira, 28 de junho de 2017

A prima Wally queria saber...

Sera Knight

“A prima Wally queria saber como foi a viagem e eu lhe revelei detalhadamente minhas impressões sobre o jato da British Airways e sobre o serviço de bordo. Eram cinco horas da tarde e nos dirigimos, os três, para a cozinha, para tomar chá. Em minha honra, a prima Wally preparara uma bandeja com canapés de aspargos em conservas, de salmão defumado e de queijo gouda holandês, que me deixaram muito impressionado, e à mesa havia também um irrepreensível bolo inglês. A dignidade daquele lanche de adultos, do qual eu era convidado a participar, me deixou lisonjeado. Agora, tinha certeza de que chegara à Europa.”

(Luis S. Krausz, no livro Deserto)

terça-feira, 27 de junho de 2017

Senhor, fazei com que eu aceite...

Rui Paula

Senhor, fazei com que eu aceite
minha pobreza tal como sempre foi.

Que não sinta o que não tenho.
Não lamente o que podia ter
e se perdeu por caminhos errados
e nunca mais voltou.

Dai, Senhor, que minha humildade
seja como a chuva desejada
caindo mansa,
longa noite escura
numa terra sedenta
e num telhado velho.

Que eu possa agradecer a Vós,
minha cama estreita,
minhas coisinhas pobres,
minha casa de chão,
pedras e tábuas remontadas.
E ter sempre um feixe de lenha
debaixo do meu fogão de taipa,
e acender, eu mesma,
o fogo alegre da minha casa
na manhã de um novo dia que começa.

(Humildade, de Cora Coralina)

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Dar a mão a alguém...

Angelo Batti

"Dar a mão a alguém sempre foi o que esperei da alegria. Muitas vezes antes de adormecer – nessa pequena luta por não perder a consciência e entrar no mundo maior – muitas vezes, antes de ter a coragem de ir para a grandeza do sono, finjo que alguém está me dando a mão e então vou, vou para a enorme ausência de forma que é o sono. E quando mesmo assim não tenho coragem, então eu sonho.
Ir para o sono se parece tanto com o modo como agora tenho de ir para a minha liberdade. Entregar-me ao que não entendo será pôr-me à beira do nada. Será ir apenas indo, e como uma cega perdida num campo. Essa coisa sobrenatural que é viver. O viver que eu havia domesticado para torná-lo familiar. Essa coisa corajosa que será entregar-me, e que é como dar a mão à mão mal-assombrada do Deus, e entrar por essa coisa sem forma que é um paraíso. Um paraíso que não quero!"

(Clarice Lispector, no livro A paixão segundo G.H.)

sábado, 24 de junho de 2017

24 de Junho - São João

Camilo Tavares

Vem ver quanta fogueira
No terreiro embandeirado
Foguetes e balões
Sobre o céu todo estrelado
Namoro à moda antiga
Com suspiros ao luar
Vem ver coisa bonita
São João no arraiá

(Forrozão das Antigas)
 

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