terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

Terça-feira de Carnaval

Pablo Picasso

No carnaval
Se a gente quer
Pierrot vira anjo
Fantasia de papel
Se eu chorei
Não foi em vão

Pierrot quando chora
É sinal de solidão
Foi no carnaval
Me apaixonei

Madrugada caiu do céu
O vento levou
Meu tamborim
Batucada, calor

(Pierrot, de Flávio Venturini)

sábado, 22 de fevereiro de 2020

Sábado de Carnaval

J. Carlos

“Que ideia a de que no carnaval as pessoas se mascaram! No carnaval desmascaram-se.”
(Vergílio Ferreira, escritor português)

“O carnaval. A festa onde os tabus perdem força e as permissões tornam-se hiperbólicas.”
(Vinícius de Moraes, poeta e diplomata brasileiro)

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

O tempo passa voando…

Gildásio Jardim Barbosa

O tempo passa voando…
Mentira, posso jurar.
Se estou meu bem esperando,
como ele custa a passar!

(Lilinha Fernandes)

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

Ouço a chuva cair...

Charles Hoffbauer

Ouço a chuva cair. Olho as ruas molhadas.
Penso nas violetas e nos jardins em flor.
Desce ao meu coração uma paz sem memória.
Desce ao meu coração uma doçura imensa…

Lembro o amor a dormir tranquilo e sossegado
A rua esquiva e sem pregões, a rua pobre,
A rua humilde e a casa pequenina, em que se abriga
Lembro a infância que foi e outras manhãs já longe.

Sinto a vida como a chuva descendo
Sobre os quietos beirais, sobre as ruas, descendo
Sinto que o tempo é bom porque não para nunca

Um ritmo de abrigo envolve as coisas, tudo,
Vontade de dormir o grande sono calmo
Ouvindo a chuva triste e mansa a descer sobre mim.

(Augusto Frederico Schmidt, no poema Canção da breve serenidade)

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

Não há isso de livro...

Fernando Botero

“Não há isso de livro moral ou imoral. Livros são bem ou mal escritos.”

(Oscar Wilde)

quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

Quantos homens datam...

Joseph Plaskett

“Quantos homens datam uma nova era nas suas vidas a partir da leitura de um livro.”

(Henry David Thoreau, ensaísta estadunidense)

terça-feira, 21 de janeiro de 2020

Gastronomia é comer...

Douglas Okada

"Gastronomia é comer olhando pro céu."

(Millôr Fernandes)

sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

Nada restará depois das águas...

Raimundo Botelho

Nada restará depois das águas.

São assim as tempestades
que vêm quando menos se espera
ou quando mais se procura.

Nada sobrará desses barulhos
de raios, fogo e trovões aflitos,
corações aos gritos, a treva lá fora.

Nada restará deste silêncio,
além do pingo choroso na torneira.

Pouco a se fazer depois dos tombos:
desentupir os ralos, enterrar os mortos,
secar os panos e fechar as janelas.

Por fim seguir aos trancos e trancos,
até a queda do próximo barranco
— sem contornos, sem encostas.

(Luís Pimentel, no poema Tempestades)

quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

O homem fala...

Margaret Peterson

“O homem fala; o sábio cala; e o tolo discute.”

(Provérbio chinês)

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

As nuvens...

Alípio Dutra

As nuvens, que, em bulcões, sobre o rio rodavam,
Já, com o vir da manhã, do rio se levantam.
Como ontem, sob a chuva, estas águas choravam!
E hoje, saudando o sol, como estas águas cantam!

(Olavo Bilac, no poema Manhã de verão)

terça-feira, 14 de janeiro de 2020

Amar é consequência...

Al Parker

“Amar é consequência de uma atração espiritual acima de qualquer mera paixão humana.”

(Cícero, filósofo antigo romano)

segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

Sua casa deve ser...

George Dunlop Leslie

“Sua casa deve ser o antídoto contra o estresse. Não a causa.”

(Peter Walsh, personal organizer autraliano)

domingo, 12 de janeiro de 2020

Na indolência de um domingo...

Joel Firmino do Amaral

Na indolência de um domingo de verão,
quando o sol cerceia o movimento e o calor detém a brisa,

Quando o bafo quente das calçadas se ergue lento,
envolve o corpo e reprime pensamentos,

Quando a inércia paralisa insetos,
cala pássaros, esconde peixes,

No meio da tarde indiferente,
preguiçosa, frouxa e incandescente,

Um solitário acordeon se faz ouvir.

É gemido desditoso, lamento sofrido.
Queixume penoso.

No ar estagnado do bairro,
por entre casas sonolentas e mudas torres de igrejas,

por cima do asfalto amolecido das ruas,
mascarando o borbulhar do riacho,

vibram notas saudosas, melodias sofridas,
canções de outras eras, de outras terras.

Gemidas.

A nostalgia se espalha.
Manta transparente, que envolve.
Aderente.

Libação sonora, suadouro enlutado,
carpindo na tarde.

Canto solitário de imigrante europeu,
Chora a terra, a distância,
a perda do lugar em que nasceu.

(Ladyce West, no poema O som mais triste…)