quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Cadeiras de plástico, uma mesa...

Edouard Manet

“Cadeiras de plástico, uma mesa de fórmica e duas salas com portas escancaradas: o espaço reservado às denúncias de furto a pedestres parecia ser nada mais do que o limbo das bolsas femininas desaparecidas. Cinco mulheres, de idades variadas, estavam sentadas em silêncio. Numa das salas, uma velhinha, usando bengala e com um grande curativo no supercílio, contava soluçando o roubo da rua. O homem de cabelos brancos que a acompanhava, confuso, já não sabia para onde olhar. Laurent se encontrava num dos purgatórios da vida, aqueles lugares onde esperamos nunca precisar entrar: urgências medicas, alfândegas de aeroporto, centros de reeducação... diante de cujas fachadas passamos pensando que estamos melhor do lado de fora, mesmo quando chove.”

(Antoine Laurain, no livro A caderneta vermelha)

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