segunda-feira, 8 de maio de 2017

O corpo dela era longo...

David Blaine Clamons

“O corpo dela era longo e delicado, macio e poderoso ao mesmo tempo, e quando ele o tocava, sua mão desajeitada parecia ficar viva sobre a sua carne. Às vezes olhava para aquele corpo como se fosse um tesouro posto sob sua guarda. Deixava seus dedos rudes brincarem sobre a pele úmida e levemente rosada da coxa e da barriga e contemplava maravilhado a intrincada e simples delicadeza de seus pequenos seios firmes. Ele se deu conta de que nunca antes conhecera o corpo de outra pessoa e lhe ocorreu ainda que essa era a razão pela qual, de alguma forma, sempre separava o eu das pessoas do corpo que o continha. Por fim, ocorreu-lhe com plena consciência que ele nunca conhecera nenhum outro ser humano com tamanha intimidade ou confiança e com o calor humano de quem se entrega completamente ao outro.”

(John Williams, no livro Stoner)

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